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.: Lenda da Caça ao tesouro fantasma

Caça ao tesouro fantasma



Entrada para a gruta mal-assombrada


Na região rural de São Tiago conhecida como Gamelas, quem espanta os visitantes é o espírito de um padre “doido” por metais preciosos. Segundo a historiadora e professora Elena Campos, por volta de 1708, época do Brasil colônia, o religioso José Manuel era dono de escravos e extraía ouro de sua propriedade. “O que se conta é que para presentear o rei de Portugal, o clérigo mandou fundir parte do ouro em forma de cacho de bananas. Porém, o rei, sabendo disso antes de receber o tal presente, considerou a atitude de José Manoel uma ofensa ou até mesmo um risco à Coroa, e mandou prender o padre e confiscar seus bens. Mas, antes de ser preso, o clérigo escondeu o ouro em alguma parte de suas terras, para evitar que outras pessoas sofressem como ele”, conta.

Mas, a história se espalhou e o que não faltou foi gente atrás do tesouro. O escritor Ademir Mendes é uma dessas pessoas. No livro que publicou em 2011, ele conta o mistério do ouro das Gamelas. Junto de alguns amigos, aventurou-se dentro da gruta com o objetivo de ficar rico. “Entramos, um a um, muito receosos e prevenidos para alguma emergência. A passagem era muito estreita, permitia a entrada de uma pessoa de cada vez. Dentro do buraco o espaço era maior e nós conseguimos ficar de pé andar normalmente. A luz do dia foi ficando escassa e impediu que nós continuássemos nossa jornada. Ouvimos dizer que lanterna não funciona dentro do buraco e, do lado de fora, funciona normalmente. Não aventuramos ir muito longe no escuro, pois falavam da existência de uma fenda muito profunda, sem fim, dentro da gruta”. O grupo de rapazes desistiu de encontrar o ouro e voltou para cidade sem se tornarem milionários.

O técnico de som, Rosauro Caputo, também se aventurou atrás do tesouro. Com 53 anos, ainda se lembra da aventura que passou quando tinha 20. Junto de uma turma, Caputo decidiu procurar o cacho de banana dourado. “Conseguimos entrar apenas uns três metros dentro da gruta, pois a gente não tinha luz e havia muitos animais. Se foi coisa do padre ou não, tivemos que sair correndo, pois fomos atacados por um enxame de maribondos”, conta. Não por acaso nossa equipe de reportagem também foi atacada por uma nuvem de maribondos enquanto fazia uma fotografia para matéria.

O técnico de som também traz na memória muitas histórias sobre o local. A mais impressionante é a de um homem de Oliveira, cidade distante 56 quilômetros de São Tiago. O tal homem se dizia guiado por um espírito e foi até a Fazenda das Gamelas tentar a sorte. “Ele furou um buraco muito grande. Durante o trabalho, teria ficado louco, fato que motivou sua família buscá-lo e levá-lo amarrado para a casa. Depois de voltar para Oliveira, a família do homem teria ficado rica”, diz Rosauro.

Segundo Elena, essa história tem um fundo de verdade, já que, de acordo com registros, as terras eram mesmo desse padre. Mas, a historiadora ressalta que é preciso cuidado, já que não existem indícios de garimpo na fazenda das Gamelas. “Apesar de a lenda afirmar que as terras eram ricas em ouro, alguns historiadores não acreditam nessa hipótese, já que não há indícios de que houve grande movimentação de mineração na região. O fato é que a história surgiu não se sabe ao certo porque, mas até hoje mexe com o imaginário das pessoas”, afirma.

Fonte e matéria original: http://www.vanufsj.jor.br/2012/01/em-nome-do-pai.html

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