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.: Vida na cidade grande, divergências e contrastes da vida no interior

A vida nas cidades pequenas é marcada pela tradicionalidade do estilo de vida bucólica. A vivência de costumes marca uma moral social onde seguir tais ensinamentos e conhecimentos fazem parte do roteiro para se viver bem frente aos antepassados. Alguns afirmam que, se assim viverem, jamais irão transgredir as normas e regras de um passado que é marcado pela autoafirmação de um presente que muitas das vezes não há necessidade de tanta ostentação para ser feliz. Basta haver o necessário para viver, um trabalho para se manter, amor para se ter e uma família para se conter.

Para uma comunidade essa vivência é sagrada e não pode ser profanada. Costumes são uma continuidade de algo que se acredita, espera, realiza. Não que haja atraso na vida simples de moradores do interior, mas de algo que vale a pena viver... Família porto seguro, Igreja lugar de orações e de fé, Escola lugar de aprender para no futuro.

Na singeleza da vida interiorana pessoas têm fé e rezam, respeitam o que é sagrado, tomam bênção do padre, dos pais, dos tios, dos padrinhos. Professores são líderes e singulares por ensinar para a vida. Todas as pessoas da comunidade até o último momento da sua vida são especiais. Tiveram uma vida e têm uma história pelo que fizeram ou por problemas não conseguiram fazer, devido suas limitações, mas que se tornaram singulares.

A tecnologia e a libertinagem que a vida às vezes oferece e o forte apelo que a mídia faz em todos os sentidos nos dias de hoje não apresenta para a sociedade nenhuma forma de rever o que tinha de ingênuo e puro na vida utópica do interior. Essa mudança traz algum ganho para a sociedade atual? Pensamos que não! O corre-corre em demasiado ainda é grande! Todos estão atrasados e sempre afoitos, ansiosos para  preencher uma sensação de que sempre acaba em “dever não cumprido” e na preocupação sobre o que faremos no dia de amanhã. Pobre de nós! Escravos do tempo e da obrigação! Cadê o amor e a familiaridade de estar junto com o outro? Seria careta viver o sabor do interior que embora seja tão simples não requer muita coisa pra ser feliz?

Certa vez na histórica São João del-Rei observava uma urna que vinha carregada por homens num cortejo fúnebre que dividia a metade da rua com carros que nem pensavam em parar e respeitar aquela família enlutada que chorava o seu ente querido.  Nem nesse momento se respeitava a dor de uma pessoa que partira, fosse essa rica, pobre, de família, indigente. Comércio com suas portas abertas e as vendas em vento e poupa... Carros com som infernal de propagandas que ninguém nem prestava mais atenção no que se vendia de tanto repetir a voz do locutor e da música de fundo com um ritmo acelerado. Tudo muito oposto do interior que se solidariza com a família, silenciando lojas, baixando portas, possibilitando que esse momento de recolhimento traga para a família uma paz pelo menos nesse momento de dor.

Marcus Santiago

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