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.: Vida cotidiana no interior das Minas Gerais no período colonial

Na vida simples das antigas localidades de Minas e na falta de recursos deste remoto tempo, fazia com que parte da população das vilas, arraiais e distritos tivessem quase os mesmos hábitos e costumes. Algumas famílias possuidoras de grandes bens desfrutavam de um conforto e um prestígio frente aos que não tinham.



A maioria das casas e casarões não possuía muito haveres. Tudo era construído de acordo com o poder aquisitivo das famílias. As residências mais simples e pobres eram construídas de pedras, madeira e tijolos de barro. Na sala às vezes tinha um banco, uma mesa, uma bia de barro que era colocada água para oferecer aos visitantes. Nos quartos um velho baú de madeira para guardar as "roupas de festas", uma cama, uma mesa grande com bacia e jarro para o banho e uma lamparina. Na cozinha o velho fogão de lenha (com algumas panelas de ferro e passadas barrela para não queimar demais), um armário (com latas de mantimentos e carne na gordura), uma grande mesa com cadeiras e um banco para empregados e agregados se assentarem quando fossem convidados para se alimentarem com os patrões. As famílias com posses tinham uma casa com mais conforto: boas camas, guarda-roupas, sofás, véu protegendo as camas contra insetos e banheiro. Esses sim podiam descansar receber amigos e convidados para pernoitarem.

Em ambas as condições financeiras as famílias possuíam quintais e hortas com vastos pés de frutas, plantação de hortaliças e flores. Criavam-se galinhas, porcos engordados com restos de comidas e raspa de mandioca. Alguns trabalhavam em casa com teares, bordados, crochês, etc. As mulheres pobres trabalhavam para as senhoras ricas nos serviços domésticos de faxina, pajem de crianças, lavagem de roupas nas bicas, faziam sabão "preto", "arrumavam porcos", cozinhavam, faziam biscoitos... Os homens, sobretudo, os escravos trabalhavam duramente nos serviços do moinho de grãos na moenda de cana-de-açúcar, bateamento nas lavras de ouro e em serviços da agricultura e pecuária.



Muitas coisas para a sobrevivência se produziam na localidade ou os donos de mercearias conseguiam para população através dos viajantes, tropeiros, vendedores, como: temperos, tecidos, linhas, sal, objetos para uso diário. Quando não compravam trocavam por algo que produzia com fartura.

Naquela época, poucas coisas se compartilhavam. Repartiam-se carnes (quando se matava porco) e biscoitos (quando se fazia), mas somente se fossem vizinhos próximos ou se algum tivesse dado quando fez em sua casa, caso contrário não!

Às vezes em que as famílias se encontravam era quando participavam das missas nas igrejas principais ou quando convidadas a ajudar na limpeza, organização e ornamentação do templo para as festas religiosas ou sacramentais (batizado, crisma, casamento ou sepultamento). Nesse momento tentava-se reduzir as desigualdades sociais. Mas havia as irmandades dos brancos e negros que lutavam pelos direitos da classe.

Num momento de enfermidade, a cura ou o alívio das doenças vinha dos chás caseiros e benzeções. Não se internava em hospital, pois esse não existia. Ficava em casa aos cuidados da família e de pessoas entendidas e com grande prática em medicina. No momento de ganhar os filhos, algumas mulheres tinham o parto complicado, que nem as parteiras davam conta, com isso, muitas vinham a falecer. Os filhos quando nasciam com sequelas era rejeitado ou não tinha a mesma atenção que outros. Para algumas famílias tornava-se um incômodo.

Havia um pouco de silêncio nas vilas e os comunicados eram noticiados pelos sinos da igreja. Com as suas badaladas na comunidade, logo decodificava o que estava acontecendo, mas sempre informando algo de famílias fidalgas e ricas, como nascimento de seus filhos, morte de pessoas ilustres, tipos de celebração que aconteceria, chamando para a missa cotidiana...

Nas vilas, arraiais e distritos de Minas, no período colonial, os casamentos na Igreja era um jeito de preservar o modelo de família legítima e, para o Estado uma possibilidade de controlar a população e combater o concubinato e as uniões não oficializadas. Assim, o casamento perante a sociedade dava a condição de segurança e dignidade às pessoas diante da instituição de ser uma família. As festas de casamento tornavam-se singulares na vida do casal. Além da bela cerimônia, dos presentes artesanais, os alimentos comuns da festa eram almoço ou jantar com direito a muitas iguarias de carnes, bebidas, licores caseiros de frutas de temporada, doces e vez ou outra café com biscoitos.

Nesta época, embora determinados jovens fossem prometidos em casamento, a filhos ou filhas de outros senhores da comunidade visavam apenas o interesse pelos bens que os outros possuíam. Quando havia contrariedade alguns homens ou mulheres acabavam se encontrando e relacionando secretamente de forma a não serem descobertos, sobretudo, quando o cônjuge saía para trabalhar ou viajar. Com isso, era uma maneira dos casais continuarem vivendo o amor proibido e não perder o contato. Nessas traições aconteciam mortes, quando descobertas, castigo para as esposas, filhos não legítimos, separações, pagamento de dotes às famílias que suas filhas haviam perdido a honra. Havia maridos que saiam à noite para se divertirem fora do convívio familiar; nas tabernas e bodegas com mulheres de vida fácil (como se dizia) ou com os amigos em jogos de baralhos, conversas de negócios e bebedeiras.



As comadres e amigas sempre se visitavam. Não era preciso marcar os encontros essas relações de proximidades acontecia comumente. As pessoas mais ricas se reuniam sempre para conversar, trocar ideias e degustar deliciosos petiscos, festejar algo ou para tomar vinhos e licores que eram produzidos no lugarejo.

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